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Liverpool vence Manchester United e confirma domínio total na Inglaterra

Mariana Pacheco
Crédito: Michael Cox

PANORAMA DO CLÁSSICO DE GIGANTES

O clássico dos dois clubes mais ricos em história entre todos da Inglaterra teve um vencedor e, consequentemente, um perdedor. A partida entre Liverpool e Manchester United deste domingo, dia 19 de janeiro, deixou claro algo que para os torcedores do Manchester ainda podia ser uma dúvida: o Liverpool não só é o melhor clube do mundo como também o melhor da Inglaterra. 

É que o Manchester United entrou em campo como o único time a arrancar pontos do Liverpool em todo o primeiro turno da Premier League. Não deixar o Liverpool vencer em Anfield Road significaria, para os Red Devils, sempre poder colocar um “mas não venceu a gente” em caso de o inevitável acontecer e os Reds serem campeões depois de 30 anos sem conseguir conquistar o Campeonato Inglês. 

Pois é, 30 anos. Isso significa que o Liverpool jamais venceu a Premier League, que só passou a ter este formato e a ser assim denominada dois anos após o último título dos Reds, em 1990. De lá pra cá, o Liverpool, que tinha ao menos o dobro de títulos de qualquer outro clube local, viu o Manchester United conquistar 13 e se tornar, na temporada 2010/11, o maior campeão inglês.

Foram tempos árduos para os torcedores do Liverpool, que viram os rivais de Manchester deixarem seus 18 títulos nacionais para trás, chegando à 20 conquistas do Campeonato Inglês na temporada 2012/13. Mas esta temporada também marcou o fim da dinastia de Sir Alex Ferguson. A esta altura, o Liverpool passava por um momento de reconstrução com o fim da carreira de muitos jogadores que bateram na trave do título em 2008/09. Já sob o comando de Brendan Rodgers, o Liverpool voltou a bater na trave, terminando mais uma vez como vice-campeão na temporada 2013/14.

Sem jamais caminhar sozinhos, os Reds seguiram o caminho com esperança e, depois de uma nova reestruturação (em 2015), agora voltam aos seus dias de glória. Jurgen Klopp, um técnico alemão de 52 anos de idade, com a base de uma diretoria competente para equilibrar as contas e disposta a investir em um elenco competitivo, revolucionou dentro do Campeonato Inglês. O Liverpool, que já fez história na temporada passada por ter sido o segundo colocado a mais somar pontos na Premier League (superando a pontuação de muitos campeões), termina a 23ª rodada da atual edição invicto, tendo vencido todos os outros clubes e abrindo 16 pontos de vantagem para o segundo colocado mesmo tendo um jogo a menos. Ufa!

Tudo isso para concluir: o gigante que passou por uma dura tempestade, está em pé novamente, caminhando com seus fiéis torcedores em direção a uma nova linda história de conquistas.

VIRGIL VAN DIJK SE AGIGANTA E COLOCA O LIVERPOOL NA FRENTE

A partida em Anfield Road iniciou com a torcida gritando “You’ll never walk alone” a pleno vapor. Literalmente, uma vez que o frio de aproximadamente 5°C fazia a respiração do canto dos torcedores evaporar no ar, formando uma pequena fumaça branca. A atmosfera era perfeita e o discurso de Jurgen Klopp também: o treinador dos Reds afirmava que seus jogadores deviam ter conhecimento da grandeza do clássico, mas não ia admitir um cartão vermelho ou outra coisa atípica (o foco era vencer esta partida, assim como fez em todas as outras). 

Do outro lado, sem Marcus Rashford, Ole Solskjaer apostou em um sistema com cinco zagueiros, dois volantes, um meia de criação e dois atacantes de velocidade, com o claro intuito de fechar bem sua marcação e explorar os contra-ataques. Mas o Manchester United começou marcando em cima, apertando o líder em seu campo de defesa e tirou o Liverpool de sua zona de conforto. 

O jogo era bem equilibrado até que aos 14 minutos, em escanteio cobrado por Alexander-Arnold, Virgil van Dijk subiu mais que todo mundo no meio da área e cabeceou direto para o fundo da rede: 1 a 0 Liverpool. O Manchester United acabou sentindo o golpe, não conseguiu mais incomodar e passou a ser acuado em seu campo de defesa. Roberto Firmino e Gini Wijnaldum chegaram a balançar as redes ainda no primeiro tempo, mas ambos os gols acabaram sendo corretamente anulados. Nos minutos finais, os visitantes tiveram algumas boas oportunidades, mas os donos da casa logo retomaram o controle do jogo.

MOHAMED SALAH DECRETA VITÓRIA E FABINHO RETORNA DE CONTUSÃO

O segundo tempo foi mais equilibrado, apesar de o Liverpool mais uma vez ter começado melhor e só não ter marcado o segundo logo no começo porque Mohamed Salah, recebendo cruzamento rasteiro açucarado de Robertson, furou o chute cara a cara com De Gea e mandou pra fora. 

Henderson também tentou deixar o dele em pancada da entrada da área, mas De Gea conseguiu desviar e a bola parou na trave. O Manchester respondeu com bela jogada individual de Anthony Martial pela esquerda, tabelando com Andreas Pereira na área e chutando com muito perigo por cima do gol de Alisson. 

Ole Solskjaer promoveu as entradas de Greenwood e Juan Mata para tentar aproveitar o bom momento, mas não teve jeito. O Liverpool conseguiu controlar o jogo e nos acréscimos da etapa final, quando o Manchester partia para o tudo ou nada, Alisson fez ligação direta com Salah, que ganhou da marcação, invadiu a área e tocou por entre as pernas de De Gea para decretar: Liverpool 2 a 0 Manchester United.

Com os três pontos conquistados neste domingo, o Liverpool alcança uma invencibilidade que já dura 39 jogos na Premier League (22 na atual edição e 17 na anterior). Em 22 partidas disputadas na competição inglesa, o Liverpool venceu 21, empatou apenas uma vez e ainda não sabe o que é perder. Com 64 pontos a esta altura, os Reds já fazem a melhor campanha da história do Campeonato Inglês. 

Já são 16 pontos de distância do Manchester City (2º colocado) e 30 em relação ao Manchester United (5º colocado), mesmo com um jogo a menos. Além da euforia por conta dos números e do título que está mais próximo a cada rodada, os Reds também comemoram o retorno de Fabinho após quase dois meses lesionado. O volante brasileiro entrou nos minutos finais do jogo e já deu seus primeiros toques na bola.

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