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Chile perde recurso e Equador segue na Copa do Mundo  

Chile perde recurso e Equador segue na Copa do Mundo do Catar

O Chile falhou na última sexta-feira, na sua mais recente tentativa de expulsar seu rival sul-americano Equador da Copa do Mundo. Um painel da Fifa reafirmou decisão anterior que rejeitou a alegação do Chile de que o adversário colocou um jogador inelegível. O Chile planeja um último recurso.

Gianni Infantino presidente da Fifa desde 2016
Italiano Gianni Infantino preside a Fifa desde 26 de fevereiro de 2016 (Divulgação)

Esse é outro revés em uma disputa que envolveu diversas alegações sem muita base e que chegou a ameaçar alterar o primeiro jogo do Mundial do Catar apenas dois meses antes da partida de abertura do torneio.

Um comitê de apelações da entidade que rege o futebol, a Fifa, rejeitou a mais nova alegação do Chile, concordando com uma decisão anterior de um painel disciplinar de rejeitar a alegação de que o Equador colocou um jogador inelegível em várias partidas das eliminatórias. O painel de apelações da Fifa forneceu poucos detalhes sobre como chegou à sua decisão, embora tenha dito que o fato de o jogador, Byron Castillo, possuir cidadania equatoriana permanente como justificativa para apoiar a decisão original no caso.

Alegações chilenas 

O Chile alega que Castillo, um zagueiro de 23 anos, não apenas nasceu na Colômbia, mas também que é três anos mais velho do que consta nos documentos usados para identificá-lo como equatoriano, algo que é extremamente grave e já conhecido do mundo do futebol, principalmente envolvendo seleções africanas. Autoridades chilenas disseram que fariam uma última tentativa de anular a decisão e tirar o Equador de seu lugar no torneio, apelando de forma desesperada para a última instituição que pode atuar no caso, o Tribunal Arbitral do Esporte, com sede em Lausanne.

A disputa pela elegibilidade de Castillo, que joga profissionalmente no México, gera há meses incertezas sobre a vaga do Equador na Copa 2022, que começa em novembro. Um dos quatro classificados da América do Sul, o Equador deve enfrentar o anfitrião Catar no jogo de abertura do torneio em 20 de novembro e a chance de não participação da Seleção do Equador pode implicar em grandes problemas, como a possível mudança da data de abertura da Copa. 

O Chile, que apresentou o recurso que também exigia que a federação do Peru fizesse uma apresentação, há semanas trava uma batalha pública para denunciar Equador e Castillo. De acordo com as regras da FIFA, colocar em campo um jogador inelegível pode resultar na desistência de qualquer partida em que esse jogador tenha participado.

Investigação

O Equador terminou em quarto lugar nas eliminatórias da Copa na América do Sul, conquistando uma das quatro vagas automáticas do continente na Copa do Mundo. Mas o Chile exigiu que o Equador perdesse os oito jogos de qualificação em que Castillo jogou e que seus adversários nessas partidas recebessem três pontos por jogo. Esse resultado, calcularam as autoridades chilenas, reorganizaria os resultados das eliminatórias na América do Sul e levaria o Chile ao quarto lugar e à Copa do Mundo, às custas do Equador, o que parece impensável dado momento, as decisões já tomadas e pelo curto espaço de tempo que se tem até o Mundial.

Para apoiar sua alegação de que Castillo não deveria ter permissão para jogar pelo Equador, autoridades chilenas vasculharam registros públicos e postagens de mídia social e contrataram consultores de mídia na Europa para manter a atenção focada em seu caso e suas reivindicações. A federação do Chile, por sua vez, enviou à FIFA documentos de registro, incluindo certidões de nascimento e outras provas, até mesmo documentos que, segundo ela, provavam onde e quando Castillo foi batizado.

Apenas alguns dias antes da audiência de apelação, as autoridades chilenas também conseguiram uma gravação de áudio de uma investigação de 2018 na qual Castillo apareceu. Nele, o jogador parecia confirmar detalhes de sua infância na Colômbia. Essa gravação foi então publicada pela mídia de notícias.

Um comitê disciplinar da FIFA rejeitou as acusações contra Castillo e Equador em junho, mas as regras da organização permitiram que o Chile apresentasse seu caso novamente a um órgão de apelação. A audiência ocorreu por videoconferência na quinta-feira, mas Castillo não participou, apesar de ter sido obrigado a participar.

“O mundo do futebol ouviu um jogador que ajudou o Equador a se classificar para a Copa do Mundo da FIFA admitir que nasceu na Colômbia e que ganhou um passaporte equatoriano usando informações falsas.” Disse Jorge Yungue, secretário-geral da federação chilena de futebol. 

“Não é à toa que ele se recusou a participar. O que diz sobre o comitê de apelação que, diante de tudo isso, ainda não age?” Acrescentou ele em um comunicado que confirmou a intenção do Chile de ir ao CAS.

Os antecedentes de Castillo estão envolvidos em questionamentos há vários anos, o que desperta ainda mais esperança na Federação Chilena de Futebol para conseguir vencer o caso e ir à Copa do Mundo. Uma investigação mais ampla sobre os registros de jogadores no Equador examinou centenas de casos e resultou em punições para pelo menos 75 jogadores jovens que tinham registros falsificados. Preocupados com um erro que poderia comprometer as esperanças do Equador na Copa do Mundo este ano, autoridades de sua federação nacional de futebol haviam adiado a convocação de Castillo para a seleção principal até este ano.

Há dois anos, de fato, o presidente de uma comissão especial de investigação convocada pela federação parecia sugerir que Castillo era colombiano, algo que autoridades chilenas disseram ter comprovado. A federação do Equador finalmente convocou Castillo para a seleção nacional depois que sua nacionalidade foi reconhecida e formalizada pelos órgãos judiciais do país.

Para a FIFA, o caso persistente tem sido um fardo adicional, pois lida com preocupações contínuas sobre a preparação para o Catar sediar a Copa do Mundo. Ainda não se sabe a possível resolução para esse caso, mas é com certeza de uma complexidade imensa e talvez não seja possível resolve-lo antes da Copa ter início, ainda mais se tratando de uma seleção que irá realizar o jogo de abertura contra a anfitriã do torneio.

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