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Primeira Divisão da Nicarágua desafia pandemia e mantém campeonato

Fernando Verchai

Conheça o Campeonato da Nicarágua.

Jogadores do time Diriangén usam máscaras e luvas. Campeonato Nicaraguense segue acontecendo em meio à pandemia do novo coronavírus (Foto: divulgação)

Desde que a primeira-dama e vice-presidente (isso mesmo: primeira-dama e vice-presidente), Rosario Murillo, anunciou o primeiro caso de coronavírus na Nicarágua, no dia 18 de março, o país iniciou uma corrida no combate à pandemia. De acordo com Pedrinho, camisa 10 do Walter Ferretti (clube que disputa a primeira divisão), a Federação de Futebol da Nicarágua (FENIFUT) “já cancelou todos os campeonatos da segunda, terceira (divisão) e o campeonato feminino”. No entanto, a primeira divisão da Nicarágua não é controlada pela Federação, mas por uma entidade independente, liderada por empresários. Desde que o coronavírus chegou à Nicarágua, já ocorreram duas reuniões da entidade com os representantes dos dez clubes que disputam a primeira divisão, a última na quinta-feira (26/03), mas apenas um clube (o Diriangén) foi a favor da paralisação. As reuniões contaram com a presença do Ministério da Saúde local, o qual afirmou que a situação estava sob controle e a competição poderia prosseguir, desde que sem a presença de torcedores. Portanto, a competição continua neste final de semana, com os jogos da 12ª rodada, mesmo com os jogadores sendo contra. O meia do Walter Ferretti, Pedrinho, afirmou que “todos os jogadores querem que (a competição) pare”. No entanto, a informação do jornal local “La Prensa” é de que os jogadores chegaram a ser ameaçados com a rescisão do contrato quando expressaram o desejo de não irem para as partidas. Atletas do Diriagén estão entrando em campo de máscaras e até chegaram a jogar alguns minutos equipados com a proteção para tentarem se prevenir, mas o campeonato segue. A última informação divulgada pelo Ministério da Saúde local foi na terça-feira (24/03), com 30 casos confirmados de Covid-19 e nenhuma morte causada pelo novo vírus. Atualmente não se sabe ao certo qual o número de infectados.

Jogos da 12ª rodada

A 12ª rodada da Primeira Divisão da Nicarágua iniciou no sábado, com disputa direta pela primeira posição da tabela no jogo entre Managua e Diriagén. O Managua havia acabado de assumir a liderança, na rodada anterior, e se aproveitou do fator casa para vencer o segundo colocado. Os três pontos deixaram o Managua isolado na liderança, com 28 pontos ao todo. O Diriagén caiu para a terceira colocação, quatro pontos atras do líder. A segunda posição foi tomada pelo campeão do “Apertura” (primeiro turno), o Real Estelí, que venceu o lanterna (Las Sabanas) em casa e alcançou os 26 pontos na competição.

Neste domingo, o ART Jalapa (5º) recebe o Juventus Managua (6º) em seu Estádio Alejandro Ramos Turcio, às 19 horas. A partida envolve briga direta por vaga entre os quatro primeiros colocados, que se classificam para as semifinais do “Clausura” (segundo turno). O ART Jalapa, apesar de ser favorito no papel e jogar em casa, terá a missão de vencer o Juventus Managua pela primeira vez na atual temporada (2019/20). Mesmo jogando fora de casa e estando atrás do rival na tabela, o Juventus venceu as três partidas que jogou contra o Jalapa e é tido como favorito, retornando, no Betmotion, quase 2,40 para cada 1 dólar apostado. Já o time da casa, que vai com toda a sua força para conquistar a primeira vitória sobre o rival na temporada e, de quebra, alcançar uma vaga entre os quatro melhor colocados, pode dar um lucro maior no Betmotion (retorno de 2,70).

Também neste domingo, às 20 horas, o time do brasileiro Pedrinho (Walter Ferretti) recebe o Chinandega no “Nicaragua National Football Stadium”. Era para ser um jogo simples para o Walter Ferretti, que é amplo favorito e, no Betmotion, retorna pouco menos de 1,5 para cada 1 dólar apostado em sua vitória. No entanto, os problemas internos do clube culminaram em três derrotas consecutivas nas últimas rodadas e, se os jogadores seguirem em conflito com os diretores, a situação pode continuar se agravando. A arriscada aposta em vitória do Chinandega pode render quase 6 dólares para cada um investido no Betmotion.

Conhecendo a Nicarágua

A Nicarágua é um país da América Central que, já há algum tempo, tem se envolvido em diversos problemas políticos. Daniel Ortega é presidente da Nicarágua desde 2007, mas os acontecimentos dos últimos anos colocaram a sua liderança em xeque. Talvez tudo tenha começado com os conflitos econômicos do Estados Unidos com países socialistas (principalmente a China nos dias atuais), que insistem em desafiar o poder dos norte-americanos. O problema é que a China (que apoia outros países socialistas) conta com o apoio da Rússia, que, apesar de ser essencialmente capitalista, é, talvez, o principal inimigo dos Estados Unidos. E isso desde o fim da Segunda Guerra Mundial, quando, economicamente falando, o capitalismo dos norte-americanos entrou em conflito com o socialismo da União Soviética (URSS) na chamada “Guerra Fria”. É verdade que, desde 1991, a antiga União Sovética deixou de existir, dando lugar à (capitalista) Federação da Rússia, mas os conflitos econômicos entre os países permanecem. Isso porque, como dito, a Rússia continua se unindo e apoiando países socialistas, como acontece com a China, a Venezuela e, inclusive, a Nicarágua. Em abril de 2017 a Rússia investiu em uma parceria sigilosa com a Nicarágua, na qual construiu uma estação terrestre do Sistema Global de Navegação por Satélite, controlada pela Agência Espacial Federal Russa (Roscosmos). E foi à partir desse ano (2017) que começaram muitas tensões internas na Nicarágua. Desde então, líderes econômicos e políticos que não aceitam a forma de agir do presidente (Ortega) são presos ou e até “desaparecem” depois de serem capturados por grupos paramilitares (que não fazem parte das forças armadas do Estado), mas o governo afirma se tratar de terroristas e golpistas. Até onde se sabe, mais de quinhentas pessoas pagaram com a vida por participar de protestos cívicos, que o governo chamou de golpe de Estado. De acordo com o presidente Daniel Ortega, o golpistas foram derrotados em 2018. Desde então a “crise sociopolítica” cessou, mas mais de 100 mil cidadãos deixaram a Nicarágua e ainda são muitos os relatos de que a repressão do governo continua.

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