Sob protesto, Botafogo e Flu jogarão domingo pela Taça Rio

Rogerio Jovaneli
Rogerio Jovaneli

Embora insatisfeitos e afirmando acatar a decisão sob protesto, tanto Botafogo quanto o Fluminense vão cumprir decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e voltarão a campo no domingo (28), pela Taça Rio, o segundo turno do Campeonato Carioca.

residente STJD, Paulo César Salomão Filho, aceitou parcialmente pedido de Botafogo e Fluminense sobre volta ao Carioca (Foto: divulgação/STJD)

O Botafogo jogará às 11h (de Brasília) do próximo domingo, contra a Cabofriense, pela quarta rodada da Taça Rio, em seu estádio Nilton Santos (Engenhão). A equipe alvinegra tem 4 pontos e é a quarta colocada do grupo A, atrás do já classificado Flamengo (12 pontos), Boavista (7) e Portuguesa-RJ (4 pontos e melhor saldo do que o Glorioso).

Já o Fluminense, líder do grupo B, com 9 pontos, entrará em campo no mesmo dia, só que mais tarde, às 19h (de Brasília), contra o Volta Redonda (terceiro colocado, com 4 pontos). A partida está marcada para o Maracanã, mas o clube cogita mudar para o estádio botafoguense, por considerar desrespeito atuar em local onde há um hospital de campanha, segundo declarou o seu presidente Mário Bittencourt ao SporTV.

Os dois melhores colocados de cada grupo avançam às semifinais da Taça Rio. O Flamengo, campeão da Taça Guanabara e já garantido no mata-mata da Taça Rio, joga quarta que vem (1º de junho), novamente no Maracanã, contra o Boavista, fechando a sua participação na fase de classificação do returno do Carioca.

Já o Vasco da Gama, quinto colocado do grupo B, com apenas 2 pontos e na iminência de ser eliminado, recebe o Volta Redonda (4 pontos) em São Januário, domingo (28), às 16h, e depois fecha a fase de classificação da Taça Rio dia 1º de junho contra o Madureira (vice-líder, com 6 pontos).

Inicialmente, Botafogo e Fluminense queriam voltar a jogar só em julho, enquanto a Ferj (federação carioca) chegou a marcar partidas de ambos para 22 de junho, posteriormente adiadas após decreto da prefeitura do Rio de Janeiro. Por fim, o presidente do STJD, Paulo César Salomão Filho, aceitou parcialmente os pedidos dos clubes e adiou para domingo os jogos da dupla.

Ainda assim, nenhum dos dois gostaram muito e se sentem forçados a voltar, em meio a altos índices de contaminação pela Covid-19 no País e no estado do Rio.

Posição do Fluminense

“O Fluminense Football Club acatará a decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva determinando que os jogos sejam realizados a partir do dia 28 de junho. Dito isso, é preciso deixar claro que o retorno do futebol neste momento é um erro. Nenhum clube deveria ser submetido à obrigatoriedade de jogar e ao risco de ser punido desportiva e financeiramente em meio ao estado de calamidade pública.

A falta de sensibilidade manifestada pela maioria dos clubes do Rio de Janeiro, bem como por sua representação da FERJ, demonstra falta de entendimento sobre o papel social do futebol. Não são apenas nossos jogadores e profissionais que estarão expostos à contaminação, mas as milhões de crianças e jovens que serão influenciadas pela excitação que uma partida do time do coração pode causar. O futebol tem caráter exemplar. Ninguém deveria dirigir um clube de futebol ou a federação de clubes sem ter plena consciência disso.

Jogaremos sim, em respeito à decisão da Justiça Desportiva. Entendemos também que para os clubes de menor aporte financeiro voltar aos campos é uma questão de sobrevivência. O Fluminense compreende o fato de que nenhum clube existe sozinho. O futebol profissional é uma engrenagem complexa e dispendiosa. Um clube não pode simplesmente deixar de cumprir seus compromissos, desde que, por óbvio, tenha o mínimo de segurança para seus atletas, funcionários e torcedores. O que não justifica atitudes individuais de dirigentes e clubes pois, como já dito, não existe futebol sem o conjunto de clubes.

A partir das datas definidas na decisão desta tarde, consultamos o nosso Departamento Médico, Comissão Técnica, equipe de preparação física e de Fisiologia. Fomos informados que, após as avaliações físicas feitas no primeiro dia de treino, e pelo fato de que não será mais obrigatória a concentração de 48 horas prevista no protocolo (revogada pela FERJ já na rodada de retorno), os jogadores terão a condição física mínima requerida para retornar à competição no dia 28 de junho.

O Fluminense requisitará à FERJ que as partidas sejam realizadas no Estádio Nilton Santos, para que não joguemos ao lado do hospital de campanha no momento em que a taxa de óbitos segue alta no Rio de Janeiro.”

O que diz o Botafogo:

“O Botafogo de Futebol e Regatas vem a público manifestar o seu posicionamento após a decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), na tarde desta terça-feira (23/6), que definiu as partidas do time profissional na Taça Rio do Campeonato Carioca para a partir dos dias 28 de junho e 1ª de julho, referente às 4ª e 5ª rodadas, respectivamente.

1. Desde o início da pandemia, o Botafogo se posicionou contra o retorno dos jogos com a pressa difundida pela maioria dos clubes do Rio de Janeiro. Além de desconexão com a realidade, uma vez que as estatísticas da COVID-19 seguem em níveis alarmantes, é questão de insensibilidade com as mortes e um mau exemplo para a sociedade — o futebol, como se sabe, pauta costumes, gestos e atitudes da população. Definitivamente, retornar competições dessa forma assoberbada não é a melhor mensagem para o momento por parte de tão importantes influenciadores. Por essa conjunção de fatores, o Clube adiou o seu retorno aos treinos e foi a última equipe carioca a retomar atividades presenciais.

2. Membros conceituados da sociedade médica foram categóricos ao afirmar que, após 90 dias de paralisação de treinos com bola, necessita-se de um período de cerca de três semanas para que se tenha condições adequadas de preparação física. Apesar da recomendação, o Botafogo aceitou reduzir, nos debates no Conselho Arbitral e nos tribunais, o seu tempo de treinos de modo que se alcançasse um consenso para realização de suas partidas apenas a partir de 1º de julho.

3. É constrangedor ser obrigado a competir no único país que planeja jogos de futebol convivendo com registros, em média, superiores a 1.000 mortes e 30.000 contaminações por dia. O único no mundo a iniciar partidas com essa marca de óbitos e casos. A pressa é sem explicação: não há outras competições, nacionais ou internacionais, agendadas. Não há calendário futuro. Jogar com essas marcas é falta de respeito aos mortos e seus familiares. É sob um recorde fúnebre. Para não enlamear mais o campeonato em que as pessoas perderam o bom senso, o Botafogo está fazendo sacrifícios para encerrar esse triste momento.

4. O Botafogo lamenta a inflexibilidade e postura de alguns componentes Conselho Arbitral da FERJ que durante todo o período de debates desrespeitaram posições contrárias, seja com reuniões paralelas ou movimentos claramente ensejados para minar quem apresentava discordância de opiniões. Muitos dos quais colocaram seus interesses acima da vida humana. Certamente, colaboraram para prejudicar a imagem do futebol carioca e o próprio produto que buscam ter sucesso.

5. O Botafogo informa que não vai recorrer da decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). O Clube respeita o que foi definido pela Justiça Desportiva, pois entende que esse é fórum adequado para a discussão do assunto. O Comitê Executivo de Futebol e a Comissão Técnica foram convocados para que seja definido o plano de trabalho da equipe profissional a partir da decisão comunicada pelo STJD. Quando o Botafogo voltar a disputar uma partida, certamente será sob protesto e luto por aqueles que nos deixaram nesse momento difícil.

6. O Botafogo segue convicto de suas posições ao longo dos últimos meses e orgulhoso por estar no lado certo da história.

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