Raí pede renúncia de Bolsonaro; SPFC é contra volta rápida

Rogerio Jovaneli
Rogerio Jovaneli

Em longa entrevista ao site Globoesporte, o diretor-executivo de futebol Raí criticou fortemente a postura do presidente da República Jair Bolsonaro, defendendo a sua renúncia e até o seu impeachment, embora em sua opinião o processo de impeachment especificamente não fosse a melhor opção para o país, por conta da pandemia da COVID-19.

Diretor do São Paulo Raí, critica Bolsonaro: “Por causa dele, milhares  e milhares de mortes a mais vão acontecer” (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)

“Se perder a governabilidade política, eu torço e espero por uma renúncia, para evitar um processo de impeachment que sempre é traumático, porque num primeiro momento o foco tem que ser a pandemia. Mas se for inevitável (o impeachment), não é uma coisa que tem de se pensar agora, energia nenhuma pode ser gasta nisso, mas se (Bolsonaro) estiver prejudicando ainda mais essa crise gigantesca de saúde, sanitária, aí (o impeachment) tem que ser considerado”, avaliou.

Indignação com comportamento do presidente

O ex-jogador e ídolo tricolor demonstrou indignação com as manifestações públicas de Bolsonaro. “Ele está no limite, muitas vezes, da irresponsabilidade, quando ele vai contra todas as recomendações da OMS. A gente tem um privilégio de ver o que está acontecendo nos outros países, o impacto, o colapso do sistema de saúde público em todos esses lugares, e que dependendo da região não dá nem para comparar, o Brasil é muito precário, (com) alguns estados falidos. (Bolsonaro) não levou em consideração nenhum desses pontos”, queixou-se.

E Raí continuou, inconformado com o descaso do mandatário do país: “Esse vírus, essa pandemia, ela muito injusta, também no sentido de que quanto mais o país é injusto socialmente, mais vaio ficar escancarado isso. O presidente não leva em conta a realidade do país e quem vai sofrer muito mais. Vai ser absurdamente maior o número de mortes em regiões pobres, populosas e sem condições. Isso é uma coisa que tem que se indignar. Não dá para levar em consideração, principalmente o presidente do país.”

Defesa das medidas de isolamento social

O diretor são-paulino ainda fez questão de reforçar sobre o quão importante tem sido uma medida criticada por Bolsonaro, o isolamento social, mencionado o caso da Itália, país europeu bastante atingido pela COVID-19, mas que teria muito mais mortes da doença se a livre circulação de pessoas tivesse sido mantida em plena pandemia.

“Com tudo o que aconteceu, se na Itália não tivesse tido as medidas de isolamento social, foi feito o cálculo que seriam 151 mil mortes a mais. Não dá para não considerar isso. O que vai acontecer com o nosso sistema público de saúde, com os nossos hospitais quando tiver um colapso, como tá acontecendo em Manaus e deve ocorrer em outras regiões? Então, o cenário é catastrófico e tem que ser encarado como se apresenta”, alerta Raí.

Raí se revolta com crises políticas do governo no meio da pandemia

O ex-jogador, hoje dirigente do time do Morumbi, também manifestou revolta com as crises políticas do governo Bolsonaro.

Presidente da República, Jair Bolsonaro, durante polêmico pronunciamento em rede nacional (Imagem: reprodução)

“Outro absurdo do Bolsonaro é inventar crises políticas ou de interesses próprios, familiares, no meio de uma pandemia. É inaceitável. Tenho certeza que muita gente concorda, inclusive muitos apoiadores do Bolsonaro. Ele foi eleito democraticamente, mas a própria democracia está conseguindo frear um pouco (Bolsonaro), e isso me fez até questionar o presidencialismo. Estar sujeito a uma pessoa como essa, a um presidente como esse, eleito democraticamente, mas que toma decisões que confundem completamente a população”, argumentou.

Para Raí, as falas irresponsáveis e as decisões do chefe do Executivo causarão um número maior de mortes pelo novo coronavírus no Brasil. “Por causa dele, e aí o cálculo pode até ser feito, milhares  e milhares de mortes a mais vão acontecer.”

Ídolo tricolor prega um Brasil com menos desigualdade social

Demonstrando muita consciência social, Raí pregou que o Brasil mude e seja mais justo, com menos desigualdade entre ricos e pobres.

“O Brasil tem que aprender as lições da democracia e repensar o seu sistema até. Principalmente o que a gente vai ser obrigado a fazer, porque vai ter que ficar mais tempo parado, é repensar a distribuição de renda. De uma forma radical, num primeiro momento, mas também repensar o quanto é absurdo essa diferença de renda, as condições de vida dos brasileiros que vivem em favelas, em regiões de periferia, populosas e sem saneamento básico e até sem acesso à água. É triste, mas é nesses momentos que estão as oportunidades para ocorrer avanço social no país, no Brasil que a gente quer ver, que quer ter orgulho”, analisou o ídolo são-paulino.

Como irmão Dr. Sócrates agiria neste momento

Com um discurso assim, Raí inevitavelmente acabou falando do irmão, o Dr. Sócrates, um dos líderes da Democracia Corinthiana. O Globoesporte o questionou como seria o posicionamento de Sócrates, que morreu em 2011, sobre o Brasil atual.

“Bom, se vocês acharam o meu depoimento forte, imaginem o do Sócrates. Inaceitável, indignação, só que na natureza dele. Queria se colocar e obviamente, com todo o meu apoio, na mesma linha eu seguiria, e ao estilo do Doutor Sócrates, que com certeza já teve uma importância gigantesca na história do país, não só na Democracia Corinthiana, mas em outros momentos.”

Posicionamento do São Paulo sobre volta do futebol

Falando agora em nome da instituição São Paulo, assim como o atacante Alexandre Pato também Raí demonstrou preocupação quanto à pressa do governo por volta do futebol no Brasil, enfatizando que o clube é contra um retorno precipitado das atividades.

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“É bom deixar claro e reforçar que a posição do São Paulo não é voltar rápido. É voltar ao seu tempo, com as orientações, e gradativamente, começando obviamente o treino sem uma data certa de quando o campeonato vai retornar”, afirmou o o diretor-executivo de futebol tricolor.

Também o gerente executivo do São Paulo Alexandre Pássaro falou ao site Globoesporte sobre a posição do clube contrário a uma volta rápida, como defendem algumas federações e mesmo o governo Bolsonaro, em conversas com a CBF.

“O São Paulo é a favor do retorno do futebol, lógico, para todos nós e torcida, mas não do retorno rápido, (mas) do retorno ao seu tempo, do retorno no tempo em que as pessoas com certeza muito mais capacitadas do que todos nós – que estão estudando essa doença, a curva da pandemia e tudo isso – nos sinalizarem de que é momento talvez não ainda para começar a jogar, mas para voltar a treinar. Essa é a posição institucional do São Paulo.”

“Temos o interesse, desejo e saudade do futebol voltar, mas isso é completamente colocado em segundo plano. Tem de lembrar que o futebol é ferramenta social de várias coisas, mas inclusive de exemplo. Temos de tomar cuidado para não usar o futebol como mau exemplo para a sociedade. Claro que tem de usar o futebol como uma ferramenta talvez de interação, diversão e alívio desse momento que todos nós estamos passando, mas desde que a gente esteja seguro. Se não estivermos seguro, da mesma forma que não podemos ir a um restaurante, também não podemos ir a um campo ou treino de futebol”, reforçou Pássaro.

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