Pelé contesta Mundial de 1951 do Palmeiras: “Não foi igual”

Rogerio Jovaneli
Rogerio Jovaneli

Em entrevista ao canal de televisão CNN Brasil, o “Rei do Futebol” Pelé falou de tudo, inclusive entrando em algumas polêmicas, como a se o Palmeiras é ou não campeão mundial, e sobre o nível do atual time do Flamengo, que tem encantado a tanta gente, mas nem tanto a ele, sobretudo individualmente, em termos de qualidade dos jogadores.

(Reprodução: CNN Brasil)

O apresentador do canal, Reinaldo Gottino, que é torcedor do Palmeiras, quis saber de Pelé, se para ele o Verdão foi campeão mundial, no que o Rei respondeu: “Eu não sei se o Palmeiras foi. Eu acho que o título foi dado ao Palmeiras, se não me engano, posso estar equivocado, mas não foi um mundial.”

“Foi um torneio que deram a ênfase de mundial, mas não foi igual ao que a seleção brasileira ganhou e o Santos ganhou. Não foi um torneio disputado como eram e como ainda são os campeonatos mundiais interclubes”, finalizou Pelé.

Na entrevista, o jornalista da CNN perguntou se o Flamengo encantava ao Rei do Futebol. “Sem dúvida nenhuma, é o melhor time. Como equipe, como conjunto, é o melhor time, mas individualmente, se você pegar jogadores do Flamengo e alguns times da Europa, não é mais a fase que o Brasil tinha jogadores como Pelé e Garrincha e até Sócrates”, ponderou.

“Hoje, individualmente não dá para comparar os jogadores do Flamengo com os de alguns times da Europa. Porque no futebol muitas vezes não é o melhor que é campeão, muitas vezes a sortezinha ajuda. E o Flamengo é hoje o representante do brasil”, completou.

Confira outros assuntos abordados por Pelé na entrevista:

Racismo

“Acho que hoje não mudou muito. A única coisa que deve ter mudado acho que foi a imprensa. Um jogador falava uma besteira para outro, era para a gente. Quando ia jogar na Europa acontecia muitas vezes. Jogando aqui contra argentinos, chamavam a gente de macaco, de chimpanzé e crioulos. Veja se saiu algum escândalo.”

Brasileiro sabe votar?

“Acho que hoje já melhorou. Fui uma pessoa abençoada como ministro do Esporte. A gente não tinha tantos problemas como temos hoje… de roubo, de assalto, de feminicídio. Problemas que temos hoje e não tínhamos no passado. Se tivesse, a imprensa não destacava. Agora eu acho que está muito mais difícil do que naquela época.”

Arrependimento por ter sido ministro do Esporte?

“Não, pelo contrário. Claro que a política, mas no meu caso era diferente, estava fazendo uma coisa para um determinado setor, que era o esporte. Trabalhava com crianças e agradeço a Deus por passar por lá, trabalhar com as crianças e fazer uma coisa boa pelo futuro do nosso esporte.”

Brasileiro cobra demais o Pelé?

“Cobra. São perguntas difíceis de responder, mas a única coisa que às vezes me pega de surpresa e que ficou chateado é quando alguns dos fanáticos querem fazer comparações com outras pessoas. Isso às vezes me deixa meio em dúvida porque se faz comparação com outro ser humano, eu não posso responder. Não dá para fazer comparação com as pessoas, são momentos, pessoas, coisas e vida diferentes. Você pode gostar mais de um, de outro ou de um fez uma coisa importante, não dá para comparar.”

Qual era o time do Edson Arantes do Nascimento na infância, antes de virar “Pelé”?

“Na época era uma coisa engraçada. Até hoje as pessoas discutem, eu já expliquei e essa geração ainda não escutou, então volto a falar. Em Bauru, na época que joguei no Baquinho, todo garoto era corintiano. Eu era BAC, porque meu pai jogava no BAC, mas tinha uma simpatia e meus amigos todos eram corintianos, enquanto meu irmão Zoca era palmeirense. Lembro que às vezes a gente ia jogar partidas de botão, na época era uma febre. Eu perdia para o Zoca, eu como Corinthians e ele como Palmeiras. E quando eu vim para o Santos fazer o teste e tal, todo mundo falava: “o Pelé era do Corinthians” e eu não tinha estado no Corinthians. Só que uma coisa é verdade: meu time de botão era corintiano, mas com 13, 14 anos.”

Está mais difícil ou mais fácil jogar futebol hoje, em relação à época que Pelé jogava?

“Está mais difícil. Bem mais difícil. Porque no meu tempo com todo o respeito aos colegas, acho que a gente tinha um pouco mais de liberdade, parar a bola. Agora já não tem mais tanta. Por isso, até alguns jogadores amigos meus na época falam que não é assim. Converso com o Beckenbauer, Maradona e o Cruyff. Eu digo: antigamente se jogava bola, agora os caras não querem saber de jogar bola, só querem destruir. Quem paga para ir ao estádio, paga para ir ao estádio. Não é para ver marcação. A gente dava mais espetáculo e shows do que no futebol atual, mas é uma diferença muito grande.”

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