De onde veio e para onde vai Philippe Coutinho?

Fernando Verchai
Fernando Verchai

Quem é Philippe Coutinho?

Philippe Coutinho Correia nasceu na capital do Rio de Janeiro em 12 de junho de 1992, tendo atualmente 27 anos de idade. O carioca iniciou sua carreira nas categorias de base do Vasco da Gama e também defendeu a Seleção Brasileira desde o sub-14, passando por outras categorias até chegar, mais tarde, à seleção principal. Quando fez sua estreia pelo time profissional do Vasco da Gama, com 17 anos recentemente completados, Coutinho já era observado e cobiçado por alguns clubes da Europa. Por conta disso, o meia não permaneceu por muito tempo no Brasil. No ano que estreou como profissional, Coutinho logo recebeu mais chances, até se tornar parte fundamental da equipe no ano seguinte, em 2010. Depois de 32 jogos e cinco gols marcados com a camisa do Vasco da Gama, ainda naquele ano, Philippe Coutinho se transferiu à Internazionale por pouco menos de 4 milhões de euros. Mesmo com apenas 19 anos, o meia foi integrado ao time principal da Inter de Milão, ao lado de nomes como Samuel Eto´o e Diego Milito. O meia até teve algumas oportunidades no time principal, mas, com apenas dois gols em uma temporada e meia (31 partidas, ao todo), não rendeu o esperado e foi emprestado ao Espanyol para ganhar experiência. Pelo time espanhol Coutinho fez dezesseis partidas e marcou cinco gols. O brasileiro foi um dos principais destaques do Campeonato Espanhol e voltou com moral para a Internazionale, recebendo a camisa 7. Apesar disso, Philippe Coutinho recebeu poucas oportunidades no time principal e acabou sendo negociado com o Liverpool ainda no meio da temporada 2012/13 por aproximadamente 8,5 milhões de libras. Mesmo não tendo uma boa passagem pela Itália, não foi difícil para a Inter a venda do jogador. Os Reds passaram na frente do Southampton para contratar Coutinho, que também era interesse de Mauricio Pochettino, o então técnico do Southampton que havia treinado o brasileiro em sua passagem pelo Espanyol.

Uma história de amor entre Philippe Coutinho e o Liverpool

Philippe Coutinho já chegou ao Liverpool, então comandado por Brendan Rodgers, vestindo a camisa de número 10 e assumindo a responsabilidade de ser titular. Sua estreia foi entrando no segundo tempo na derrota em Anfield diante do West Bromwich, pela 26ª rodada da Premier League. Foi apenas para o brasileiro sentir o que era pisar no gramado de Anfield Road. Já na rodada seguinte, também em Anfield, Coutinho já foi titular e marcou um dos gols da vitória por 5 a 0 sobre o Swansea City. Philippe Coutinho rapidamente se entrosou com os pilares da equipe (Steven Gerrard e Luis Suárez), sendo titular em todas as últimas doze rodadas da Premier League. O brasileiro terminou sua primeira temporada pelo Liverpool com três gols, sete vitórias e apenas uma derrota (para o Southampton) em doze jogos. O garoto de 20 anos se tornou a estrela de Liverpool, sendo apelidade de “pequeno mágico” por razões óbvias: sua estatura e suas jogadas “mágicas”. Em sua segunda temporada pelo Liverpool, Coutinho disputou 37 jogos, marcou cinco gols e foi peça fundamental do surpreendente time de Brendan Rodgers, que terminou a Premier League com dois artilheiros (Luis Suárez: 31 gols; Daniel Sturridge: 21 gols) e o maior assistente (Steven Gerrard: 13 passes para gol), mas apenas na vice-liderança. Com a saída de Suárez na temporada 2014/15, o Liverpool passou por um momento de transição. Sem conseguir fazer a equipe evoluir, Brendan Rodgers acabou deixando o comando técnico na temporada 2015/16 para a chegada de Jurgen Klopp. Logo no início, o alemão efetuou algumas mudanças no time principal, como com a contratação de Roberto Firmino e a efetivação de Alexander-Arnold, ainda com 17 anos, na lateral-direita. O Liverpool acabou batendo na trave na Liga Europa, perdendo o título na final para o Sevilla, que vencia a competição pela terceira vez consecutiva. O Liverpool focou completamente na Premier League na temporada 2016/17 e os Reds conquistaram classificação à Liga dos Campeões com a quarta colocação. Philippe Coutinho seguia sendo peça chave do Liverpool mesmo com o técnico alemão no comando e alcançou o maior número de gols de sua carreira em uma única temporada, tendo balançado as redes 14 vezes em 36 jogos.

“A vida é feita de escolhas” que fala?

O Liverpool e Jurgen Klopp montaram um império para a temporada 2017/18. Virgil van Dijk chegou para resolver os problemas defensivos do Liverpool que pareciam não ter solução e Mohamed Salah chegou para fechar o trio de ataque com Roberto Firmino e Sadio Mané. Com o trio de ataque, Philippe Coutinho alcançou a incrível marca de 12 gols em apenas 20 jogos, mas o brasileiro se envolveu em conversas com o Barcelona e forçou uma saída no meio da temporada, o que incomodou bastante os torcedores ingleses.

Chegando em um Barcelona em transição desde a saída de Neymar, a expectativa era muito alta sobre a nova contratação, que havia custado cerca de 130 milhões de euros aos cofres do clube catalão. No entanto, Coutinho estava se recuperando de lesão e chegando em um time completamente diferente, tanto em sua forma de agir dentro de campo, quanto fora. Mas Ernesto Valverde, que chegava pressionado a dar uma resposta sem Neymar logo depois de uma saída razoavelmente boa de Luis Enrique, não tinha tempo para esperar os resultados. Em um Barcelona um tanto estranho, Arda Turan saiu pela porta dos fundos (emprestado ao futebol turco) e Paulinho teve de estar em campo em quase todas as partidas para salvar a equipe em diversos momentos. O ex-jogador do Corinthians era um dos únicos que tentavam ajudar Lionel Messi a carregar aquele (comum) Barcelona nas costas. Dentre tantos outros jogadores que ficaram queimados com Ernesto Valverde, Philippe Coutinho foi jogado para escanteio e mal pôde comemorar os dois títulos nacionais que ganhou pelo clube catalão, além de uma Supercopa da Espanha e uma Copa do Rei.

Ainda é possível recomeçar?

Sem chances no Barcelona, Coutinho foi resgatado pelo Bayern de Munique, que precisava de peças para repor as saídas de Arjen Robben e Frank Ribéry. Os bávaros tentaram fazer o brasileiro retomar a confiança dando-o a camisa número 10 e fechando com o Barcelona uma opção de compra ao fim do contrato de empréstimo. Coutinho até fez boas atuações em 32 jogos pelo Bayern de Munique, com oito assistências e nove gols marcados, incluindo um hat-trick na Bundesliga, mas o clube alemão não está disposto a desembolsar a quantia de 660 milhões de reais estipulada na opção de compra. Agora, por conta da pandemia, o Campeonato Alemão prevê um retorno apenas em maio e a probabilidade é de que o Bayern já foque nos jogadores que permanecerão para a próxima temporada. Coutinho, então, retorna ao Barcelona em agosto, quando encerra seu período com o Bayern de Munique. O clube catalão, porém, já deixou claro que o brasileiro não faz parte dos planos do novo técnico Quique Setién. O Barcelona, na verdade, está interessado na venda do jogador e, segundo o jornal “Sport”, foi oferecido ao Chelsea por 160 milhões de euros (valor equivalente ao que foi pago pelo Barcelona na época de sua contratação). O clube de Londres era um dos interessados em contar com o jogador, principalmente por conta da saída de Eden Hazard. No entanto, o Chelsea não deve desembolsar o valor pedido, o que faz com que, ou o Barcelona o empreste mais uma vez, ou abra conversação para diminuir o valor. No “transfermarkt.com” Coutinho tem valor de mercado de apenas 70 milhões de euros. Para Philippe Coutinho, retornar à Inglaterra pode ser a melhor (e talvez a única) opção.

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